Catarata secundária: quando a visão embaça de novo depois da cirurgia.

Catarata secundária

A cirurgia de catarata devolve nitidez à visão e é um dos procedimentos mais bem-sucedidos da medicina. 

Meses ou anos depois, parte dos pacientes percebe que a visão voltou a embaçar de forma progressiva, com sensação de névoa e ofuscamento diante de luzes fortes. 

A opacificação da cápsula posterior é popularmente chamada de catarata secundária e tem solução rápida.

O que é a catarata secundária?

Durante a cirurgia de catarata, o cristalino opacificado é removido e uma lente intraocular é implantada no lugar. Esta fica apoiada dentro de uma estrutura chamada cápsula, uma membrana muito fina que envolvia o cristalino original e é preservada justamente para dar sustentação ao implante.

Com o tempo, células epiteliais remanescentes podem se multiplicar sobre a face posterior dessa cápsula, deixando a membrana espessa e turva. A lente intraocular continua perfeita. O que embaça é a cápsula atrás dela.

Por isso o termo “catarata secundária” descreve o sintoma, e não o mecanismo. A catarata em si já foi removida e o cristalino não volta a se formar.

Por que acontece?

A proliferação celular sobre a cápsula é uma resposta natural do organismo ao processo cicatricial. Alguns fatores aumentam a probabilidade:

  • idade mais jovem no momento da cirurgia, já que células mais ativas se multiplicam com mais facilidade;
  • diabetes e uveíte, condições que ampliam a resposta inflamatória ocular;
  • miopia alta;
  • material e desenho da lente intraocular implantada;
  • retinopatia diabética e outras doenças oculares associadas.

Estima-se que a opacificação apareça em algo entre 10% e 30% dos pacientes operados, com incidência maior nos primeiros cinco anos após a cirurgia.

Sinais de alerta

Os sintomas lembram os da catarata original e aparecem de forma gradual:

  • visão embaçada ou com aspecto de névoa constante;
  • dificuldade para ler mesmo com o grau atualizado;
  • ofuscamento diante de faróis, lâmpadas e luz do sol;
  • halos ao redor de pontos de luz durante a noite;
  • perda de contraste, com cores que parecem mais apagadas;
  • necessidade de mais luz para tarefas do dia a dia.

A evolução costuma ser lenta, o que faz muitos pacientes atribuírem o quadro ao avanço da idade. A consulta oftalmológica esclarece a causa em poucos minutos de exame.

Como o diagnóstico é feito?

A avaliação começa com a medida da acuidade visual e segue para o exame de lâmpada de fenda, no qual a médica observa diretamente a cápsula posterior e o posicionamento da lente intraocular. 

A dilatação da pupila facilita a visualização da extensão e da densidade da opacificação. O exame também investiga outras causas possíveis para a queda de visão após cirurgia de catarata, como alterações da retina, glaucoma, edema macular e olho seco. 

Essa distinção define a conduta, já que cada uma dessas condições exige um tratamento diferente.

O tratamento: capsulotomia com laser YAG.

O tratamento padrão é a capsulotomia posterior com laser YAG, um procedimento ambulatorial realizado no próprio consultório.

Como funciona?

Após a instilação de colírio anestésico e de dilatação, o paciente se posiciona diante do equipamento com o queixo apoiado, da mesma forma que em um exame de rotina. 

A médica aplica pulsos de laser YAG que abrem uma janela circular no centro da cápsula opacificada, criando um caminho livre para a luz chegar à retina.

O procedimento dura poucos minutos, dispensa cortes, pontos e curativos. Não há dor, apenas a percepção de clarões de luz e um leve estalo durante as aplicações.

Recuperação

A visão embaçada costuma melhorar já nas primeiras horas, com estabilização completa em alguns dias. 

O paciente sai andando do consultório e retoma as atividades no mesmo dia, com a ressalva de que a pupila dilatada deixa a visão sensível à luz por algumas horas. Dirigir logo após o procedimento é desaconselhado.

O oftalmologista costuma prescrever colírio anti-inflamatório por alguns dias e agenda um retorno para checar a pressão intraocular e o resultado.

O procedimento precisa ser repetido?

A abertura feita pelo laser é definitiva. As células removidas do eixo visual não retornam, o que faz da capsulotomia um procedimento realizado uma única vez por olho na grande maioria dos casos.

Como diferenciar da progressão de outras doenças?

A visão embaçada depois da cirurgia de catarata tem várias causas possíveis. Além da opacificação da cápsula, entram na lista o olho seco, alterações de grau, membrana epirretiniana, degeneração macular relacionada à idade e glaucoma. 

Cada quadro tem características próprias:

  • opacificação capsular: piora gradual, ofuscamento com luz forte, visão melhora com o laser;
  • olho seco: visão que oscila ao longo do dia e melhora ao piscar;
  • alterações retinianas: distorção das linhas retas e mancha central;
  • glaucoma: perda de campo periférico, com visão central preservada por muito tempo.

Vários desses quadros podem coexistir e só os exames definem quais estão presentes.

Acompanhamento após a cirurgia de catarata

A consulta anual de rotina segue necessária mesmo depois de uma cirurgia bem-sucedida. 

O acompanhamento permite identificar a opacificação capsular assim que ela começa a interferir na visão e monitorar a saúde da retina, do nervo óptico e da superfície ocular ao longo dos anos.

Pacientes diabéticos, com glaucoma ou com alta miopia costumam seguir um calendário de retornos mais frequente, definido caso a caso.

Agende sua avaliação

Se a visão embaçada voltou depois da cirurgia de catarata, o diagnóstico é simples e o tratamento resolve o quadro em poucos minutos. A Dra. Rosaura Franco realiza a avaliação completa e indica a melhor conduta para o seu caso. Agende sua consulta e recupere a nitidez da sua visão.

Dra. Rosaura Franco

Clínica Oftalmológica Dra. Rosaura Franco – Av. Dr. Nilo Peçanha 1221/901

Porto Alegre / RS – 91330-000

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