Dormir de lente de contato: o risco real.

Dormir de lente de contato

Dormir de lente de contato acontece com quase todo usuário em algum momento. A prática parece inofensiva porque na maioria das noites nada acontece. 

O problema é que o risco se acumula e, quando a complicação aparece, ela costuma ser grave. Pesquisas mostram que dormir com lentes multiplica por seis a oito vezes a chance de desenvolver uma infecção grave da córnea.

O que acontece durante o sono se você dormir de lente de contato

A córnea recebe oxigênio diretamente do ar, já que ela é o único tecido do corpo sem vasos sanguíneos. Durante o dia, o piscar renova a lágrima e mantém esse suprimento em funcionamento.

Com os olhos fechados, a oferta de oxigênio cai, a temperatura da superfície ocular sobe e a lágrima praticamente para de circular. Acrescente uma lente de contato sobre a córnea e você tem uma barreira física somada a todos esses fatores.

O resultado é um ambiente com pouco oxigênio, mais calor e resíduos retidos, condições que favorecem a proliferação de bactérias, fungos e parasitas na superfície do olho.

As complicações mais frequentes

Ceratite microbiana

É a complicação mais temida. Trata-se de uma infecção da córnea causada por bactérias como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus, por fungos ou pelo parasita Acanthamoeba, presente na água de torneira, piscinas e banheiras.

Os sintomas aparecem rápido: 

  • dor intensa;
  • vermelhidão; 
  • sensibilidade à luz;
  • lacrimejamento;
  • secreção;
  • perda parcial de visão. 

O tratamento exige colírios fortificados em intervalos de uma hora, inclusive de madrugada, e às vezes internação.

Mesmo com tratamento adequado, a infecção pode deixar uma cicatriz permanente na córnea. Quando essa cicatriz fica no eixo visual, a visão permanece comprometida e o transplante de córnea entra em pauta. 

A ceratite por Acanthamoeba é a mais difícil de tratar, com quadros que se arrastam por meses.

Hipóxia corneana

A falta crônica de oxigênio provoca inchaço da córnea, visão embaçada pela manhã, halos ao redor de luzes e formação de vasos sanguíneos onde eles não deveriam existir. 

A neovascularização corneana compromete a transparência do tecido e pode inviabilizar o uso de lentes no futuro.

Conjuntivite papilar gigante

O contato prolongado com ao dormir de lente de contato gera uma reação inflamatória na pálpebra superior, com formação de papilas grandes. 

O paciente sente coceira, secreção e desconforto crescente, e a lente passa a se deslocar a cada piscada.

Úlcera de córnea

Uma lesão aberta na córnea, dolorosa e de evolução rápida. Costuma surgir a partir de um pequeno trauma da lente sobre um epitélio já fragilizado pela hipóxia.

E as lentes de contato aprovadas para uso contínuo?

Existem lentes de silicone-hidrogel com alta transmissibilidade de oxigênio, aprovadas por órgãos regulatórios para uso prolongado de até sete ou trinta dias sem remoção.  Elas reduzem o risco em comparação às lentes convencionais, mas ele continua existindo.

Estudos comparando modalidades de uso mostram que dormir com lentes de alta transmissibilidade ainda mantém uma taxa de ceratite microbiana superior à do uso diário com remoção noturna. 

O material melhora a oxigenação, mas faz pouco pelos outros fatores como acúmulo de depósitos, estagnação da lágrima e adesão bacteriana à superfície da lente.

A recomendação da maioria dos oftalmologistas continua sendo remover as lentes antes de dormir, mesmo quando o fabricante autoriza o uso contínuo.

Sinais que exigem atendimento imediato

Qualquer um destes sintomas em usuário de lente de contato pede avaliação no mesmo dia:

  • dor ocular que persiste após a remoção da lente;
  • vermelhidão intensa, principalmente em um olho só;
  • sensibilidade forte à luz;
  • visão embaçada de início súbito;
  • secreção amarelada ou esverdeada;
  • mancha esbranquiçada visível sobre a córnea.

Em quadros infecciosos da córnea, cada hora conta. O atraso no início do tratamento aumenta a chance de cicatriz definitiva.

Como reduzir o risco no dia a dia?

Boas práticas com lentes de contato diminuem drasticamente a chance de complicação:

  • remover as lentes antes de dormir, incluindo cochilos;
  • lavar e secar bem as mãos antes de manusear as lentes;
  • usar solução multipropósito nova a cada armazenamento, sem completar a solução antiga;
  • trocar o estojo a cada três meses e deixá-lo secar com a abertura para baixo;
  • evitar qualquer contato das lentes com água de torneira, piscina, mar ou banheira;
  • respeitar o prazo de descarte indicado para o modelo;
  • retirar as lentes ao primeiro sinal de desconforto;
  • manter um par de óculos atualizado como alternativa;
  • comparecer às consultas de acompanhamento com o oftalmologista.

As lentes de descarte diário eliminam a etapa de armazenamento e reduzem o risco de contaminação, o que faz delas uma boa opção para quem tem rotina irregular ou dorme fora de casa com frequência.

Dormiu de lente: o que fazer ao acordar?

Ao perceber que dormiu com as lentes, o primeiro passo é evitar puxá-las de imediato. A lente costuma estar aderida à córnea ressecada, e a remoção forçada arranca células do epitélio.

O procedimento correto é instilar algumas gotas de lubrificante ocular sem conservantes, piscar várias vezes, aguardar alguns minutos até a lente de contato se mover livremente e só então removê-la. 

Depois disso, o ideal é passar o dia de óculos e observar a presença de dor, vermelhidão ou embaçamento. Qualquer um desses sinais pede uma visita ao oftalmologista.

Acompanhamento de quem usa lentes

O uso seguro de lentes de contato depende de adaptação feita por oftalmologista e de revisões periódicas, em geral anuais. 

A consulta avalia a saúde da córnea, a qualidade do filme lacrimal, o ajuste da lente sobre o olho e a necessidade de mudança de material ou de modalidade de descarte.

Agende sua avaliação

Lentes de contato são seguras quando adaptadas e acompanhadas corretamente. A Dra. Rosaura Franco avalia a saúde ocular de quem usa lentes e orienta sobre o modelo e a rotina de uso mais adequados ao seu caso. 

Agende sua consulta e cuide da sua córnea antes que o problema apareça.

Dra. Rosaura Franco

Clínica Oftalmológica Dra. Rosaura Franco – Av. Dr. Nilo Peçanha 1221/901

Porto Alegre / RS – 91330-000

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