Olho seco: causas mais comuns e como tratar de verdade

Olho seco

Olho seco costuma ser uma condição crônica, com períodos melhores e piores. O objetivo do tratamento é estabilizar, reduzir crises e devolver conforto para suas atividades. 

O incômodo do olho seco atrapalha leitura, trabalho no computador, direção à noite e até o prazer de ficar ao ar livre. Mas quando o tratamento é completo e bem direcionado, é possível aliviar sintomas e proteger a superfície ocular a longo prazo.

O que é olho seco e por que ele acontece tanto hoje

O olho é coberto por uma película de lágrima que funciona como proteção e como uma lente lisa, melhorando a qualidade da visão. Quando essa película fica instável, o olho perde a proteção com facilidade, e a superfície ocular começa a inflamar.

Isso pode ocorrer porque há pouca produção de lágrima, porque esta evapora rápido demais ou porque as pálpebras não espalham essa película de forma eficiente. Em muitos casos, existe uma mistura desses fatores, é um sistema inteiro fora do equilíbrio.

Sintomas que confundem

Ardor, coceira, sensação de areia, vermelhidão e fotossensibilidade são clássicos. Mas  o lacrimejamento é um sintoma que pega muita gente desprevenida.

Parece contraditório, mas faz sentido. Quando o olho está irritado e a lágrima não se mantém estável, o organismo dispara uma produção reflexa de lágrima, como um alarme. Só que essa lágrima costuma ser mais aguada e não resolve o problema de base. A pessoa chora, mas continua com olho seco.

Se você tem sintomas que variam ao longo do dia e pioram em telas, ar condicionado ou vento, o quadro merece ser investigado de forma dirigida.

As causas mais comuns de olho seco no dia a dia

Nem sempre existe uma única causa. O que costuma existir é um conjunto de gatilhos somando pontos até o olho não aguentar mais.

Telas e pouca piscada: o combo moderno.

Quando ficamos concentrados, piscamos menos e, muitas vezes, piscamos de forma incompleta. Isso impede que a lágrima se espalhe bem e reduz a liberação de óleo pelas glândulas da pálpebra, o que aumenta a evaporação.

O resultado é típico: no início do dia está tolerável, mas conforme as horas passam, aparece ardor, cansaço visual e embaçamento. Esse padrão é muito característico e tem tratamento, mas precisa de rotina e técnica.

Disfunção das glândulas de Meibômio: a causa mais subestimada.

Na borda das pálpebras existem glândulas que produzem uma camada oleosa da lágrima. Ela é a tampa que reduz a evaporação. Quando essas glândulas inflamam, entopem ou produzem um óleo de má qualidade, a lágrima evapora rápido e a irritação dispara.

Isso é muito comum em quem tem rosácea, pele oleosa, blefarite, histórico de terçol ou sensação de crosta nos cílios. Também pode acontecer sem sinais óbvios, o que reforça a importância do exame.

Ar condicionado, vento e ambientes secos.

Ambientes climatizados e com circulação de ar favorecem evaporação. No carro com ar ligado, em escritórios e aviões, o desconforto costuma intensificar. Quem usa ventilador direcionado no rosto também nota piora.

Lentes de contato

As lentes podem agravar o olho seco porque alteram a dinâmica da lágrima e aumentam atrito quando a película está instável. Em alguns casos, o desconforto é o primeiro sinal de que a superfície ocular precisa de cuidado antes de continuar com o uso prolongado.

Isso significa que talvez seja necessário ajustar o tipo de lente, tempo de uso e tratar a base para recuperar conforto e segurança.

Medicamentos e hormônios

Alguns remédios podem piorar o olho seco, como certos antialérgicos, antidepressivos, ansiolíticos e medicamentos que reduzem secreções. 

Mudanças hormonais também influenciam, especialmente em mulheres, com aumento de sintomas no climatério e pós-menopausa.

Aqui, o objetivo não é parar medicação por conta própria. É reconhecer a relação e compensar com um plano ocular mais robusto, quando necessário.

Procedimentos oculares e cirurgias refrativas

Após cirurgias e alguns procedimentos, a superfície ocular pode ficar mais sensível por um período. Em muitos pacientes isso é transitório, em outros, revela uma predisposição que já existia. 

Nesses casos, tratar antes e acompanhar depois faz diferença na recuperação e no conforto do pós-operatório.

Como tratar: o que muda o jogo.

O sucesso do tratamento depende de entender qual mecanismo predomina no seu caso. Por isso, olho seco bem tratado costuma ter duas fases. Primeiro estabilizar a crise e depois trabalhar na manutenção para evitar recaídas.

1) Medidas de base que realmente funcionam

Algumas ações são simples, mas têm impacto enorme quando feitas do jeito certo e com consistência:

  • pausas programadas em telas e treino de piscada completa durante o trabalho ajudam a reeducar o hábito;
  • ajuste do ambiente: evitar vento direto no rosto, umidificar o ar quando possível, e posicionar a tela abaixo da linha dos olhos para reduzir abertura palpebral;
  • hidratação do corpo e sono adequado parecem genéricos, mas afetam a inflamação e percepção de desconforto.

2) Lágrimas artificiais: como usar sem cair na armadilha.

Lágrimas artificiais ajudam, mas não são todas iguais e nem sempre são suficientes sozinhas. Algumas priorizam lubrificação rápida. Outras têm componentes que melhoram a estabilidade. Em quadros mais sensíveis, preferimos opções sem conservantes, principalmente quando o uso é frequente.

O erro comum é pingar quando incomoda e esperar que haja cura. O uso orientado pode ser preventivo em horários estratégicos, especialmente em telas e ambientes secos. 

Note que, se você precisa pingar o tempo todo, isso é um sinal de que a causa de base ainda não está controlada.

3) Tratar pálpebras e glândulas: quando o foco é a raiz.

Se houver disfunção das glândulas de Meibômio ou blefarite, higiene palpebral orientada e compressas mornas bem feitas podem melhorar muito. Mas precisa ser bem executado, pois tempo, temperatura e técnica fazem diferença.

Em alguns casos, o médico indica terapias específicas para reduzir inflamação da borda palpebral e melhorar a qualidade do óleo. Esse é o tipo de intervenção que muda o padrão de recaídas, porque trata a evaporação na origem.

4) Controle de inflamação: quando olho seco deixa de ser só ressecamento.

Olho seco persistente quase sempre envolve inflamação da superfície ocular. Nesses casos, apenas lubrificar é como passar água numa pele irritada sem tratar a dermatite.

O oftalmologista pode indicar colírios anti-inflamatórios por tempo determinado ou imunomoduladores, dependendo do exame. O objetivo é reduzir o ciclo de irritação e inflamação, porque é isso que mantém o problema ativo.

5) Ajustes finos: quando cada detalhe conta.

Pode ser necessário avaliar alergias, qualidade da lágrima, condições da córnea, uso de maquiagem e produtos na borda palpebral, além de doenças sistêmicas associadas. 

Também pode haver indicação de recursos para conservar a lágrima por mais tempo, quando o olho perde líquido rápido.

Quando é hora de procurar um oftalmologista sem adiar

Procure o seu oftalmologista:

  • se o desconforto é frequente;
  • se a visão embaça ao longo do dia;
  • se há dor;
  • se há sensibilidade importante à luz;
  • se você depende de colírio várias vezes ao dia;
  • se você usa lentes de contato e começou a reduzir o tempo de uso por incômodo;
  • se você fez uma cirurgia ocular e está com sintomas persistentes.

Não trate essas situações como coisa normal. Olho seco sem controle pode gerar lesões na superfície ocular e piorar muito a qualidade de vida.

Se você sente ardor, sensação de areia, vermelhidão, lacrimejamento ou visão embaçada ao longo do dia, agende uma consulta com a Dra. Rosaura Franco para investigar a causa do seu olho seco e iniciar o tratamento imediatamente.

Dra. Rosaura Franco

Clínica Oftalmológica Dra. Rosaura Franco – Av. Dr. Nilo Peçanha 1221/901

Porto Alegre / RS – 91330-000

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