O glaucoma é conhecido como um “ladrão silencioso da visão”. Na maior parte dos casos, os sintomas surgem muito tarde, quando parte importante da capacidade visual já está comprometida. A fim de evitar complicações irreversíveis, vale fazer uso combinado de exames complementares para conseguir um diagnóstico precoce.
Neste post vamos explicar os 5 principais exames para o glaucoma. Vamos detalhar o que cada teste avalia, como é realizado, o que os resultados significam e quando você deve procurar um oftalmologista.
Por que são necessários vários exames para o glaucoma?
O glaucoma não se resume a um único sinal.
Há pacientes com pressão intraocular (PIO) dentro dos valores considerados “normais” que desenvolvem dano ao nervo óptico (glaucoma de pressão normal), e há pessoas com pressão elevada que nunca desenvolvem perda visual.
Por isso, o diagnóstico baseia-se na combinação de achados: medida da pressão, avaliação do ângulo de drenagem, exame do nervo óptico, imagens estruturais e testes funcionais da visão (campo visual).
Só assim o médico consegue confirmar a doença e planejar o tratamento.
1) Tonometria — medida da pressão intraocular (PIO)
O que é: é o exame que mede a pressão dentro do olho (mmHg). A pressão elevada é um dos principais fatores de risco para glaucoma.
Como é feito: existem vários tipos de tonômetros. O mais usado em consultório é a tonometria de aplanação (aplanation tonometry), que normalmente exige a aplicação de colírio anestésico e o contato de um pequeno aparelho com a superfície ocular.
Também existem tonômetros sem contato (“jato de ar”) e dispositivos portáteis.
Por que é importante: níveis persistentemente elevados de PIO aumentam o risco de lesão do nervo óptico. Entretanto, a PIO sozinha não confirma ou descarta glaucoma — é um dado importante dentro de um contexto mais amplo.
Limitações: a espessura da córnea influencia a leitura da pressão. Uma córnea mais espessa pode levar a medições artificiais mais altas; uma córnea fina pode mascarar uma PIO verdadeiramente alta. Por esse motivo, a tonometria costuma ser interpretada junto com a pachymetria (medida da espessura corneana).
O que você vai sentir: o exame é rápido; com anestésico, não costuma doer. Após alguns instantes a sensibilidade do olho volta ao normal.
2) Gonioscopia — avaliação do ângulo de drenagem
O que é: exame realizado com uma lente especial (lente de gonioscopia) para visualizar o ângulo entre a íris e a córnea — a região por onde o humor aquoso sai do olho e segue para os canais de drenagem.
Como é feito: o médico aplica colírio anestésico e coloca a lente sobre a superfície ocular. Por meio dela, é possível ver se o ângulo está aberto, estreito ou fechado.
Por que é importante: determina o tipo de glaucoma (por exemplo, glaucoma de ângulo aberto vs. ângulo fechado). No glaucoma de ângulo fechado, o risco de elevação rápida da pressão e perda visual é maior, e o manejo é diferente.
Limitações: exige habilidade do examinador. É um exame importante para o diagnóstico e para decidir tratamentos como laser ou cirurgia.
O que você vai sentir: geralmente é bem tolerado; pode haver leve desconforto pelo contato da lente.
3) Fundo de olho / Oftalmoscopia dilatada — avaliação do nervo óptico
O que é: exame direto do nervo óptico (papila óptica) e da retina. O oftalmologista avalia o formato, a coloração e a presença de escavação (“cup”) da papila.
Como é feito: são aplicadas gotas para dilatar a pupila e, com uma lente ou oftalmoscópio indireto, o médico examina o fundo do olho.
Por que é importante: alterações na aparência do nervo óptico (aumento da escavação, perda de fibras nervosas) são sinais de glaucoma. A comparação com exames anteriores permite detectar progressão.
Limitações: alterações iniciais podem ser sutis e dependem de comparação temporal — ter imagens ou registros prévios aumenta a precisão do diagnóstico.
O que você vai sentir: depois da dilatação, a visão pode ficar embaçada e sensível à luz por algumas horas.
4) Campimetria automatizada — teste do campo visual (perimetria)
O que é: é o exame funcional que avalia a visão periférica e detecta perdas de campo visual causadas pelo glaucoma.
Como é feito: o paciente fica olhando para um ponto central e aciona um botão sempre que percebe um estímulo luminoso lateral. O aparelho registra a sensibilidade em várias posições do campo visual.
Por que é importante: o glaucoma causa defeitos no campo visual que — dependendo do estágio — podem ser detectados precocemente pela perimetria. Além disso, o exame serve para acompanhar a progressão da doença e a eficácia do tratamento.
Limitações: é um exame psicofísico — depende da colaboração e atenção do paciente. Testes iniciais podem apresentar curva de aprendizado; por isso, resultados inconsistentes costumam ser repetidos.
O que você vai sentir: não é invasivo, mas a prova pode ser cansativa. Dura, em média, de 5 a 15 minutos por olho, dependendo do protocolo.
5) Tomografia de coerência óptica (OCT) — imagens estruturais da camada de fibras nervosas
O que é: exame de imagem que fornece cortes detalhados da retina e da cabeça do nervo óptico, medindo a espessura da camada de fibras nervosas (RNFL) e da camada de células ganglionares.
Como é feito: o paciente apoia a cabeça em um suporte e o aparelho realiza varreduras com luz — é rápido, não invasivo e indolor.
Por que é importante: o OCT detecta mudanças estruturais precoces que, em muitos casos, precedem alterações no campo visual. É uma ferramenta sensível para detectar perda de fibras nervosas e monitorar evolução ao longo do tempo.
Limitações: variações de equipamento, qualidade do exame e anatomia individual podem influenciar as medidas. A interpretação ideal é feita comparando séries de exames ao longo do tempo.
O que você vai sentir: nada — exame indolor e rápido.
E os outros exames? (pachymetria, ataques agudos, exames complementares)
Embora os cinco exames acima formem a espinha dorsal do diagnóstico do glaucoma, há outros testes complementares.
Exemplos de exames que ajudam na interpretação são pachymetria (mede a espessura corneana e ajuda a ajustar a interpretação da PIO), biometria em casos especiais, e métodos de imagem adicionais (como scanners específicos para a cabeça do nervo óptico).
Em situações suspeitas ou atípicas, o oftalmologista pode solicitar testes adicionais.
Como é montado o diagnóstico final?
O diagnóstico de glaucoma resulta da correlação dos achados clínicos: pressão intraocular, aspecto do nervo óptico, imagens (OCT) e exame funcional (campo visual).
Em muitos casos, o médico que monitora e compara exames anteriores precisa acompanhar o paciente ao longo do tempo para confirmar a progressão.
Quando devo procurar um oftalmologista?
Procure avaliação se você tiver qualquer um dos seguintes itens:
- História familiar de glaucoma (parentes de primeiro grau com a doença);
- Idade acima de 40–45 anos (o risco aumenta com a idade);
- Miopia elevada ou lesões oculares prévias;
- Diabetes, hipertensão, uso prolongado de corticoides ou traumas oculares;
- Sintomas agudos como dor ocular intensa, visão embaçada e halos coloridos ao redor das luzes (possível crise de ângulo fechado).
Mesmo sem sintomas, exames periódicos a partir dos 40 anos são recomendados, e antes disso, se houver fatores de risco.
Dicas práticas para a consulta e para manter seu histórico
Leve exames anteriores: comparações com imagens e campos visuais prévios são decisivas para detectar progressão.
Anote medicamentos e doenças crônicas — influenciam o risco e o manejo.
Faça os exames conforme orientação do seu oftalmologista; alguns devem ser repetidos periodicamente para monitorar mudanças.
Em todos os casos, um diagnóstico preciso é o primeiro passo para proteger sua visão ao longo da vida.
Se você tem histórico familiar, fatores de risco ou quer um check-up oftalmológico completo, entre em contato com a Dra. Rosaura Franco para agendar uma avaliação.
Clínica Oftalmológica Dra. Rosaura Franco – Av. Dr. Nilo Peçanha 1221/901
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